domingo, julho 23, 2006

Shahrazad





A historia de uma Diva!!!!

Natural de Belém, Palestina, Madeleine Iskandarian (que adotou o nome artístico de Shahrazad Shahid Sharkey) foi com sete anos para a Jordânia, onde dançava em festas familiares como casamentos, noivados e aniversários. Sempre acompanhada por sua mãe que tocava alaúde, violão e violino, aos oito anos recebeu um convite para estrear em teatro. O Príncipe Emir Naif, que se encontrava na platéia, convidou Shahrazad para dançar em seu casamento.

Ao completar nove anos, ela foi a convidada especial do Rei Abdallah, e dançou em seu palácio, sendo muito aplaudida.
Começou então suas apresentações em público: partiu para Alepo (Síria), onde ficou um ano, e depois para o Líbano, por três meses, fazendo shows em teatros e clubes, seguindo depois para Bagdá.
Voltou ao Líbano aos doze anos, e aos catorze já alcançava a fama. Aos dezesseis recebeu um convite para filmar no Egito, mas com a condição de se casar ali, ela recusou.
Aos dezessete anos recebeu um convite para viajar para os Estados Unidos. Como era menor, a mãe se opôs a deixá-la viajar, e isto deixou uma mágoa muito grande em seu coração, pois era uma carreira promissora que se abria a sua frente.

Encerrando sua carreira artística, casou-se aos dezoito anos e veio morar no Brasil. Possui um casal de filhos. Após doze anos de ausência do mundo artístico, voltou aos palcos dos grandes clubes, teatros, restaurantes, televisão, festas e casamentos. Viajou pelo Brasil de norte a sul, e todos aplaudiam as apresentações da famosa bailarina e cantora Shahrazad, com suas roupas luxuosas e brilhantes, sua beleza morena e encantadora, e sua especialidade: dançava como ninguém a Dança do Ventre.

Em 1979 trabalhou na Tenda Árabe Bier Maza, e ao mesmo tempo dava aulas de dança e participava de vários shows em todos os clubes e programas de televisão.
Em outubro de 1982 fez uma tournée pelos Estados Unidos, e dançou em San Francisco num restaurante libanês; em Chicago, no restaurante grego "Diana"; em Las Vegas, no sofisticado "Marrocos", e em Miami na boate-restaurante "Cleopatra".

Em março de 1983 foi convidada a fazer alguns shows em Montreal, Ottawa e Toronto (Canadá). Ficou ali aproximadamente três meses e quando voltou ao Brasil reiniciou suas aulas de dança, com exercícios muito especiais para pessoas que sofriam da coluna e outros problemas de saúde (pois os movimentos dados a cada um, individualmente, requeriam muita atenção e dedicação).

A Lenda de Shahrazad

A milenar história das Mil e Uma Noites conta que dois irmãos, ambos reis, descobriram que suas mulheres eram infiéis. Vingaram-se de forma sangrenta e resolveram correr o mundo em busca de alguém mais infeliz do que eles. Encontraram um demônio que mantinha uma mulher num caixão de vidro com quatro cadeados. Ela saiu de sua prisão enquanto o demônio dormia e mostrou a eles os 98 anéis que tinha pego de seus amantes, insistindo em manter relações com os dois para chegar a cem, redondos. Os reis decidiram que o demônio era muito mais infeliz que eles e voltaram a seus reinos.
Lá, o irmão mais velho, Dhahrayar, ainda furioso com a traição da mulher, instaurou um reinado de terror, casando-se com uma virgem a cada dia e entregando-a a seu Vizir (ministro) para executá-la no dia seguinte. A filha do Vizir, uma moça chamada Shahrazad, inteligente e bem-educada, convenceu seu pai a deixá-la casar-se com o rei. Na noite de núpcias, a noiva pediu que sua irmã mais nova, Dinarzad, dormisse embaixo da cama, de forma que "antes que o rei tivesse terminado com Shahrazad", a caçula, conforme o combinado, pedisse que ela contasse uma história para passar o tempo até o nascer do dia.
Quando amanheceu, a história ainda não havia terminado e o rei, curioso, adiou a execução por um dia. Shahrazad continuou a contar histórias, que deram origem a outras histórias, que nunca terminavam antes do nascer do dia. A curiosidade do rei manteve Shahrazad viva. Ela narrava o adiamento de sua execução, um período em que teve três filhos. No fim, o rei suspendeu a sentença de morte e eles viveram felizes para sempre!

Na verdade, essa é a história de uma princesa que contava histórias para não morrer. Esse adiamento da morte nos sugere o recomeço da infinita aventura da vida!
Aqui cabe uma comparação proposital, a que Shahrazad é o arquétipo da grande Mãe, com seu enorme útero. Porque seu repertório de histórias é o próprio repertório da maginação, da sobrevivência, da vida e da morte.
Shahrazad triunfa porque é infinitamente criativa, e toda essa criatividade mantém sua cabeça e sua vida!
O fato é que histórias mantêm parte de nós vivos!

Gostaria de falar sobre essas coisas para traçar um paralelo entra a Shahrazad da história e esta que está aqui hoje. Para quem a conhece, sabe que falei de uma só pessoa. As duas têm o mesmo comportamento, a mesma infinita criatividade e imaginação! Não foi por acaso que ela concebeu este nome!
E ainda, já que falo de histórias, é muito importante deixar claro para todos que Shahrazad é e faz parte da história da Dança do Ventre no Brasil. Ela semeou e cultivou um trabalho ímpar, com técnicas e exercícios que antes do início de seu trabalho, não existiam. Ela é uma fonte inesgotável de conhecimento desta arte. Suas aprendizes estão entre as principais mestras da Dança do Ventre.
Quem negar sua existência e seu trabalho, estará negando a própria história da Dança do Ventre no Brasil, a nossa própria história!

Sílvia F. Caruí

2 comentários:

Lidice-Bá disse...

Por favor,

Li essa história e gostaria de saber que fim ela levou? Qual o paradeiro dela? Obrigada

Anônimo disse...

tambem faço a mesma pergunta: ela ainda vive?